Tecnologia
Memória RAM cara em 2026: por que o preço disparou e quando deve cair
A memória RAM chegou a triplicar de preço no Brasil. Explicamos a crise causada pela IA, o que os analistas projetam até 2027 e como comprar sem cair em armadilha.
Se você tentou montar ou fazer upgrade de um PC nos últimos meses, já percebeu: a memória RAM deixou de ser a peça barata da configuração. Em agosto de 2025, um kit de entrada de 32 GB DDR5 saía por cerca de R$ 850 em lojas brasileiras; no começo de 2026, o mesmo tipo de kit não aparecia por menos de R$ 3.200 nos grandes varejistas, segundo levantamento do Tecnoblog. Não é um reajuste pontual nem "preço inflado de Black Friday". É uma crise de oferta global, e entender a causa ajuda muito a decidir o que fazer agora.
Neste guia, explicamos de onde veio a alta, por que ela atinge também SSDs, placas de vídeo, notebooks e consoles, o que as principais consultorias e fabricantes projetam para o fim de 2026 e 2027 e, principalmente, como comprar memória sem pagar mais do que precisa. Separamos claramente o que é fato confirmado e o que é projeção.
O que aconteceu com o preço da memória RAM
A memória RAM do seu computador usa chips DRAM, produzidos por um grupo muito pequeno de empresas. Samsung, SK hynix e Micron concentram a maior parte da fabricação mundial. Marcas que você vê na prateleira, como Kingston, Corsair, XPG, Rise Mode ou Hiksemi, compram esses chips e montam os módulos. Quando a oferta de chips aperta, toda a cadeia sente.
Foi o que aconteceu a partir do segundo semestre de 2025. Os números mais citados vêm da TrendForce, consultoria especializada no setor de memória:
- 1º trimestre de 2026: os preços contratuais de DRAM subiram entre 90% e 95%, e os de NAND (a memória dos SSDs) entre 55% e 60%. Foram as maiores altas trimestrais já registradas pela consultoria, segundo a Exame.
- 3º trimestre de 2026: previsão de reajuste de 13% a 18% na DRAM e de 10% a 15% na NAND.
- 4º trimestre de 2026: a estimativa revisada no fim de setembro ficou entre 10% e 15% para DRAM e entre 15% e 20% para NAND.
Repare que a desaceleração das altas não significa queda de preço. Significa apenas que os preços continuam subindo, só que mais devagar. A própria análise publicada pela Exame aponta que o freio vem do fato de fabricantes de PCs e celulares não conseguirem mais repassar tudo ao consumidor, e não de um aumento real de oferta.
No varejo brasileiro, o efeito foi ainda mais forte. O presidente da Positivo Tecnologia, Hélio Bruck Rotenberg, disse ao Jornal Nacional em agosto de 2026 que uma memória que custava cerca de R$ 150 antes da crise "hoje não se encontra por menos de R$ 1 mil". A Adrenaline registrou que um módulo simples de 16 GB DDR5 já passava de R$ 900 no Brasil.
Por que a inteligência artificial deixou a RAM mais cara
A causa principal é a corrida por infraestrutura de inteligência artificial. Ela pressiona a oferta de memória de duas formas.
1. Data centers consomem volumes gigantes de memória
Servidores de IA usam enormes quantidades de DRAM convencional, além de SSDs de alta capacidade. Projetos como o Stargate, da OpenAI, entram nessa conta. Analistas citados pelo Tecnoblog estimam que a demanda desse tipo de projeto pode consumir até 40% da produção mundial. É uma estimativa de mercado, não um dado oficial, mas mostra a escala do problema.
2. A HBM "rouba" capacidade das fábricas
A segunda causa é mais técnica e menos comentada. As GPUs usadas para treinar e rodar modelos de IA, como as da NVIDIA, usam HBM (High Bandwidth Memory), uma memória empilhada em camadas e com largura de banda muito maior. Produzir HBM ocupa cerca de três vezes mais área de wafer de silício do que a mesma quantidade de DDR5 comum. Como a HBM tem margem de lucro muito maior, as fabricantes priorizam essas linhas, e sobra menos capacidade para a memória de PCs e celulares.
Em resumo: não falta fábrica no mundo, mas a capacidade existente está sendo direcionada para o cliente que paga mais. Não por acaso, Samsung, SK hynix e Micron registraram lucros recordes no período.
3. No Brasil, câmbio e impostos ampliam o efeito
Toda memória vendida no país é importada ou montada com chips importados. Por isso, o preço em reais carrega o dólar, a tributação sobre eletrônicos e o custo do estoque que distribuidores compraram caro. Houve até um aumento do imposto de importação em fevereiro de 2026 para placas de vídeo, processadores e placas-mãe, revertido no mesmo mês. A Abinee avaliou, segundo o G1, que o impacto só não foi maior porque o real se valorizou frente ao dólar no período.
Não é só a RAM: o efeito dominó nos outros produtos
Como DRAM e NAND estão em praticamente todo eletrônico, a crise se espalhou:
- Pentes de RAM (DDR4/DDR5) — Por que é afetado: Usam DRAM diretamente; O que foi observado em 2026: Kits de 32 GB DDR5 passaram de R$ 3.000 no Brasil
- SSDs — Por que é afetado: Usam memória NAND; O que foi observado em 2026: NAND subiu 55% a 60% só no 1º trimestre (TrendForce)
- Placas de vídeo — Por que é afetado: Usam GDDR6/GDDR7; O que foi observado em 2026: Várias GPUs subiram mais de 50% em poucos meses no varejo nacional
- Notebooks e PCs prontos — Por que é afetado: RAM e SSD representam fatia relevante do custo; O que foi observado em 2026: Acer projeta PCs de 5% a 20% mais caros no 4º trimestre de 2026
- Celulares — Por que é afetado: Usam LPDDR e armazenamento UFS; O que foi observado em 2026: Eletrônicos subiram em média até 10%, com casos acima de 31% (G1)
- Consoles e PCs compactos — Por que é afetado: Memória e SSD integrados; O que foi observado em 2026: A Valve citou o custo de memória ao lançar a Steam Machine por US$ 1.049
Para quem está montando um computador, isso muda a lógica de orçamento. Antes, a memória era quase um detalhe. Hoje, em muitas configurações intermediárias, 32 GB de DDR5 podem custar perto do mesmo que o processador.
A memória RAM vai baixar de preço? O que dizem as projeções
Essa é a pergunta mais buscada sobre o tema, e a resposta honesta é: ninguém sabe a data exata, mas as projeções disponíveis são consistentes em um ponto. Uma queda grande ainda em 2026 é improvável.
Veja o que cada fonte projeta. Tudo abaixo é projeção, não fato:
- TrendForce: altas ainda no 4º trimestre de 2026 (10% a 15% em DRAM) e possibilidade de a fatia de produção destinada a PCs encolher em 2027.
- Bank of America (citado pelo Tecnoblog): preço médio da memória pode subir até 33% ao longo de 2026.
- Acer (Jason Chen, presidente): pico de preço em meados de 2027 e início de queda no segundo semestre de 2027. Chen descarta que a escassez se estenda até 2030. É a previsão mais otimista entre os executivos do setor.
- Executivos e analistas ouvidos pelo G1: normalização em 2027 ou 2028, à medida que novas fábricas entrarem em operação plena.
Há ainda um cenário alternativo, citado pelo próprio Tecnoblog: se a demanda por IA desacelerar, as fabricantes podem enfrentar um novo ciclo de excesso de oferta, como o de 2023, quando a memória ficou muito barata. Esse cenário existe, mas não há sinal concreto dele no momento.
Para o consumidor brasileiro, existe um atraso adicional. Mesmo quando o preço internacional começar a cair, a queda demora a chegar às lojas por causa do estoque comprado caro, do câmbio e dos impostos.
Compro agora ou espero? Cenários práticos
A decisão depende menos do mercado e mais da sua situação. Alguns cenários:
Seu PC está travando e você precisa dele para trabalhar ou estudar
Compre o necessário agora. Esperar uma queda que pode levar mais de um ano tem custo: produtividade perdida, máquina lenta e risco de o preço subir mais. Priorize a capacidade mínima que resolve seu problema. Para a maioria dos usos, 16 GB ainda atendem bem.
Você quer montar um PC gamer novo do zero
Avalie com calma a plataforma. Um sistema DDR5 (AM5 ou Intel LGA 1700/1851) é mais moderno, mas o custo de entrada subiu. Se o orçamento está apertado, montar com 16 GB agora (2 x 8 GB) e ampliar para 32 GB depois pode ser uma saída, desde que a placa-mãe tenha quatro slots ou que você aceite trocar o kit no futuro.
Você já tem 16 GB e quer ir para 32 GB "por garantia"
É o caso em que esperar faz mais sentido. Se o computador funciona bem hoje, o upgrade pode aguardar um bom preço, de preferência acompanhando o histórico.
Você tem uma plataforma DDR4
Para quem já tem placa-mãe DDR4, ampliar com módulos DDR4 é o caminho mais barato. Não faz sentido trocar placa-mãe e processador só para usar DDR5 enquanto a diferença de custo estiver tão alta.
DDR4 ou DDR5 em 2026: qual faz mais sentido?
- Plataformas — DDR4: AM4, Intel até 14ª geração (placas DDR4); DDR5: AM5, Intel 12ª geração em diante (placas DDR5), Core Ultra
- Velocidades comuns — DDR4: 3.200 a 3.600 MHz; DDR5: 5.600 a 6.000 MHz
- Vantagem — DDR4: Upgrade barato em PCs existentes; DDR5: Mais largura de banda e futuro da plataforma
- Desvantagem — DDR4: Plataforma sem evolução futura; DDR5: Custo de entrada mais alto durante a crise
- Para quem — DDR4: Quem já tem PC DDR4 e quer prolongar a vida útil; DDR5: Quem está montando um PC novo e pensa em upgrades futuros
Uma regra importante: DDR4 e DDR5 não são intercambiáveis. Os encaixes são diferentes, e a placa-mãe suporta apenas um dos tipos. Antes de comprar, confira no manual ou no site do fabricante qual memória sua placa aceita.
O que checar antes de comprar memória RAM durante a crise
Com preços altos, um erro custa caro. Use esta lista:
- Compatibilidade: tipo (DDR4 ou DDR5), formato (DIMM para desktop, SODIMM para notebook) e frequência máxima suportada pela placa-mãe.
- Dual channel: dois módulos iguais (2 x 8 GB, por exemplo) costumam render mais do que um único módulo de mesma capacidade, principalmente com vídeo integrado.
- Latência e frequência: compare o conjunto, não só os MHz. Um DDR4 3.200 CL16 é uma referência equilibrada.
- Histórico de preço: em período de alta, o "desconto" pode ser só a volta ao preço de semanas atrás. Veja quanto o mesmo modelo custou nos últimos 30 e 90 dias.
- Vendedor e nota fiscal: em marketplaces, prefira lojas oficiais ou com reputação alta. Memória tem garantia longa em várias marcas, mas você precisa da nota.
- Desconfie de preço muito abaixo da média: em crises de oferta, aparecem anúncios de módulos remarcados, usados vendidos como novos ou capacidades diferentes da anunciada.
- Módulos de marcas diferentes: misturar pode funcionar, mas aumenta o risco de instabilidade. Se for ampliar, tente o mesmo modelo.
Vale comprar memória usada?
Pode valer, com cuidado. Memória RAM não tem peças móveis e costuma durar muitos anos, então um módulo usado em bom estado tende a funcionar bem. Os riscos são falta de garantia, módulos com defeito intermitente e golpes. Se optar por usado, teste com o MemTest86 ou ferramenta equivalente logo ao receber e prefira plataformas com proteção ao comprador.
Perguntas frequentes
A memória RAM vai baixar de preço em 2026?
Pelas projeções disponíveis, é improvável. A TrendForce ainda prevê alta de 10% a 15% na DRAM no último trimestre de 2026. As estimativas mais otimistas, como a da Acer, falam em início de queda no segundo semestre de 2027.
Por que a DDR4 também subiu se é uma tecnologia antiga?
Porque as fabricantes estão reduzindo a produção de tipos mais antigos para liberar capacidade para HBM e DDR5. Com menos oferta e demanda ainda relevante de PCs existentes, o preço sobe também.
16 GB de RAM ainda são suficientes em 2026?
Para navegação, estudo, trabalho de escritório e a maioria dos jogos em Full HD, sim. Para edição de vídeo, máquinas virtuais, modelos de IA locais ou jogos muito pesados com muitos programas abertos, 32 GB fazem diferença.
Vale a pena comprar notebook agora ou esperar?
Notebooks também devem subir no fim de 2026, segundo a Acer. Se você precisa trocar, comprar agora tende a ser melhor do que esperar uma queda incerta. Prefira modelos com memória expansível, para ampliar quando os preços melhorarem.
A crise afeta o preço dos SSDs?
Sim. Os SSDs usam memória NAND, que subiu 55% a 60% só no 1º trimestre de 2026, com previsão de mais 15% a 20% no último trimestre, segundo a TrendForce.
Conclusão
A memória RAM cara não é resultado de ganância de uma loja específica nem de um ajuste sazonal. É uma consequência direta da disputa por capacidade de fabricação entre o consumidor comum e os data centers de inteligência artificial, agravada no Brasil pelo câmbio e pelos impostos. As projeções apontam para preços ainda pressionados até, pelo menos, meados de 2027.
Por isso, a melhor estratégia não é esperar o "preço de antes", que pode demorar a voltar, mas comprar com critério: só a capacidade que você realmente precisa, com compatibilidade confirmada e preço comparado ao histórico do próprio modelo.
Na DescontoTech, você pode acompanhar as memórias RAM em oferta e consultar a página de produtos no menor preço histórico para saber se o valor de hoje está realmente bom. Se você está montando um PC completo, vale ver também nossas categorias de processadores, placas-mãe e SSDs, além do guia de SSD e armazenamento em promoção.
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Fontes consultadas
- Tecnoblog — "Escassez de memória RAM leva fabricantes a lucros recordes" — https://tecnoblog.net/noticias/escassez-de-memoria-ram-impulsiona-lucros-recordes-das-fabricantes/ — 2026. Validou: preços de kits 32 GB DDR5 no Brasil (R$ 850 em ago/2025, R$ 3.200+ em 2026), HBM ocupando ~3x área de wafer, estimativa de até 40% da produção para projetos de IA, projeção do Bank of America.
- Exame (ExameLab) — "Placa de vídeo, RAM e SSD mais caros: entenda o impacto da IA nos preços do Brasil" — https://exame.com/tecnologia/examelab/placa-de-video-ram-e-ssd-mais-caros-entenda-o-impacto-da-ia-nos-precos-do-brasil/ — 2026. Validou: altas trimestrais da TrendForce (DRAM e NAND), imposto de importação de fevereiro de 2026 revertido, projeções para 3º e 4º trimestres.
- G1 / Jornal Nacional — "Alta demanda por chips de memória leva à falta do produto no mundo e prejudica produção de eletrônicos no Brasil" — https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/08/03/alta-demanda-por-chips-de-memoria-leva-a-falta-do-produto-no-mundo-e-prejudica-producao-de-eletronicos-no-brasil.ghtml — 03/08/2026. Validou: declaração da Positivo, alta média de eletrônicos de até 10% (casos acima de 31%), avaliação da Abinee e previsão de normalização em 2027/2028.
- Adrenaline — "PCs podem ficar até 20% mais caros em 2026, mas crise de memória não deve durar até 2030, diz Acer" — https://www.adrenaline.com.br/hardware/acer-jason-chen-preco-pc-memoria-2030/ — 2026. Validou: projeção da Acer (alta de 5% a 20% em PCs no 4º tri, pico em meados de 2027), preço de módulos de 16 GB DDR5 no Brasil.
- TechTudo — "Steam Machine ganha preço oficial, mas segue sem previsão para o Brasil" — https://www.techtudo.com.br/noticias/2026/06/steam-machine-ganha-preco-oficial-mas-segue-sem-previsao-para-o-brasil-edjogos.ghtml — 06/2026. Validou: preço da Steam Machine e relação com a crise de memória.
- TrendForce (press center) — https://www.trendforce.com/presscenter/news — consultado em 02/11/2026. Fonte primária das projeções de preço contratual de DRAM e NAND citadas pelos veículos acima.
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